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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Grijó recebe o Infesta com pensamento na vitória

O Grijó recebe o Infesta, no jogo mais importante da jornada 21 da Divisão de Honra da AF Porto. Será a partida mais importante desta jornada, pois frente a frente estarão primeiro contra o segundo classificado, num duelo entre candidatos à subida.
O Infesta dispensa apresentações. É o líder invicto da classificação, o melhor ataque e a melhor defesa da prova, com apenas sete golos sofridos e tem mais 13 pontos que o segundo classificado, estando a um passo de garantir o regresso às divisões nacionais. O Grijó é o segundo classificado, com 39 pontos e conseguiu chegar a esta posição na última jornada, ao derrotar o Avintes, aproveitando a derrota do Pedras Rubras em Felgueiras, mas com melhor diferença de golos, o que lhe confere vantagem sobre os maiatos. Os grijoenses são o quarto melhor ataque da prova e a segunda melhor defesa com 14 golos sofridos. Os mamedenses chegam a esta partida sem ter sofrido qualquer derrota, enquanto que os gaienses apenas perderam um jogo nos últimos 16 realizados e foi precisamente em casa, frente ao Nun'Alvares, de resto a única derrota caseira do conjunto de Óscar Nogueira.
O 'A Bola é Redonda' falou com os dois técnicos para saberem quais são as expectativas de ambos para este jogo, bem como com dois atletas, um de cada equipa.

Óscar Nogueira, técnico do Grijó, afirmou ao blog que a sua equipa vai jogar para vencer, pois esse é o único resultado que interessa: "Sabemos da importância deste jogo para as duas equipas. Só queremos ganhar, pois se vencermos damos um passo importantíssimo, rumo ao nosso objectivo", começou por referir, enumerando depois as dificuldades que o adversário lhe vai impor: "Defrontamos uma grande equipa, o líder invicto, que tem imensa qualidade. Sabemos o que fazemos e respeitando o Infesta, só pensamos em ganhar. Se não ganharmos, será sempre um mau resultado" disse o treinador, que concluiu afirmando que "o objectivo passa, não por não perder, mas sim por ganhar".

Do lado do Infesta, José Manuel Ribeiro, elogiou o adversário: "Vai ser um jogo difícil. O Grijó tem bons jogadores, tem boa equipa, bem organizada. É um adversário forte e será concerteza um jogo difícil".
Em caso de vitória do Infesta, a equipa matosinhense fica muito mais próxima da subida, pois há também um Pedras Rubras-Nogueirense, que pode dar uma maõzinha. José Manuel Ribeiro afirma que a sua equipa tem margem de manobra: "Depende dos resultados. Estamos numa fase em que ainda podemos errar. É claro que uma vitória. coloca-nos mais perto da 3ª Divisão e uma derrota fará com que os adversários se aproximem. Temos 13 pontos de vantagem, é bom, mas queremos um bom resultado no domingo", concluiu o treinador.
Para esta partida, que terá início às 15h do próximo domingo, Óscar Nogueira não poderá contar com os lesionados Marco e Russo e com o castigado Bruno Carvalho, uma baixa considerável na equipa. Já do lado do Infesta, apenas o lateral direito António, não poderá dar o seu contributo à equipa. O árbitro da partida será António Nogueira.

A Visão dos jogadores
O 'A Bola é Redonda' falou com o guarda-redes do Grijó, Hélder, para tentar perceber a motivação da equipa gaiense para esta partida, que pode deixar a sua equipa isolada na segunda posição. O guardião referiu que espera "um jogo muito complicado, contra uma equipa que esta super-motivada e com uma vantagem muito confortável sobre nos. Espero que consigamos provocar-lhes a primeira derrota e com isso mantermos o segundo lugar, que neste momento é o nosso principal objectivo. O essencial é entrarmos concentrados e não dar muitos espaços ao ataque do Infesta. Assim será mais difícil sofrermos golos", disse o guardião.

Do lado do Infesta, Tiago Dias, defesa-central, fez praticamente toda a sua formação ao serviço do Arcozelo, clube gaiense, que também representou durante cinco temporadas no plantel sénior. Este ano rumou ao Infesta e na última jornada foi titular, ao lado de Vilas Boas. O jogador disse que a sua equipa vai fazer o que sempre faz contra os outros adversários: "Vamos fazer o normal no jogo do próximo domingo, que é jogar para ganhar. Sabemos que o Grijó tem boa equipa, mas vamos tentar obter o melhor resultado. Com a vantagem que temos, mesmo o empate será sempre um bom resultado", disse o jogador. questionado sobre se a vitória deixa a sua equipa mais perto da 3ª Nacional, o jogador respondeu prontamente que sim: "Claro. Faltam 14 jogos e se vencermos nove, podemos festejar. É claro que esta jornada, em caso de vitória, as coisas podem ficar mais fáceis para nós", concluiu o jogador.

Johnny Lino

FONTE: A Bola é Redonda
(www.abolaeredonda.blogspot.com)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

José Manuel Ribeiro em entrevista ao Blogue A Bola é Redonda

Esta semana na rúbrica 'Entrevista Com', a escolha para entrevistado recaiu no treinador do Infesta, José Manuel Ribeiro. Esta entrevista foi realizada em dezembro último, aquando da vida do Infesta a Serzedo para um jogo-treino. Ao longo da mesma, o jovem técnico fala da sua ambição, dos seus sonhos, rejeita comparações com André Villas-Boas e com a carreira do FC Porto na Liga Zon/Sagres e admite que o Grijó, próximo adversário do clube matosinhense no campeonato, foi, das três equipas gaienses, aquele que mais dificuldades lhe apresentou e mais bem estruturado está. Em suma, uma entrevista a não perder!!
José Manuel Ribeiro pretende devolver o Infesta aos grandes tempos de outrora

A Bola é Redonda (ABR) - O Infesta lidera a Divisão de Honra invicto. Esperava esta situação ou não esperava ter tantos pontos de avanço sobre os outros adversários?
José Manuel Ribeiro (JMR) - Não fiz esse tipo de cálculos antes de começar. O Infesta há muitos anos que não estava nesta divisão e ia ser sempre uma novidade. Não teríamos ponto de referência com anos anteriores. Se me perguntasse se íamos fazer estes jogos invictos, diria que seria difícil pelo valor de alguns adversários e também pelo valor da nossa equipa pois temos muitos elementos novos e o trabalho foi feito de base, implementando as minhas ideias, porque o ano passado não era eu o treinador e isso às vezes demora tempo. Os jogadores têm sido fantásticos, assimilaram as ideias rapidamente e temos feito um campeonato quase perfeito. Estamos no primeiro lugar, sabemos que não será fácil manter pois vamos ter jogos difíceis, mas temos uma equipa que não sofreu alterações, não houve o objectivo de reforçar a equipa e vamos tentar manter o primeiro lugar.

ABR - É homem da casa, foi jogador do Infesta e chega agora ao banco. Numa entrevista ao jornal 'A Bola' disse que tinha cumprido um sonho. Era de facto um sonho treinar o infesta?
JMR - Sim. Sou sócio do infesta há 25 anos e ao fim de dez anos como adjunto começamos a ter alguma vontade de chegar a treinador principal. Obviamente que o Infesta é o clube da minha terra, da minha cidade e acho que era o clube ideal para começar, porque conheço as pessoas, conheço a filosofia do clube e sei que era mais fácil começar num clube como o Infesta, do que noutro clube qualquer.

ABR - Nesse campo surgem algumas comparações inevitáveis, pois o Infesta está a fazer uma carreira semelhante à do FC Porto. Mas neste caso e até porque André Villas-Boas também é novo, está invicto e treina o clube dele desde pequenino, que semelhanças é que encontra na maneira de treinar, tanto na sua como na dele?
JMR - Em relação ao treino não sei porque não estou lá. Na forma de jogar, penso que será diferente, porque os jogadores são diferentes. Dou muita importância a organização defensiva, assim como ele e também ao pressing em determinadas zonas do campo. As comparações as pessoas fazem-nas, talvez pela idade, por estarmos a treinar o clube do coração e sermos jovens, mas eu nem faço porque não gosto minimamente. Peso que até é prejudicial, porque se as coisas correm mal, as pessoas vão comentar. Não há comparação possível. Estou num nível muito inferior, a pressão que eles têm é muito maior e é muito mais fácil liderar um balneário como o Infesta porque tinha vindo de uma descida, porque os jogadores querem rectificar erros anteriores e no FC Porto é um ambiente diferente, é outro nível, a pressão é maior. É quase impossível fazer comparações.

ABR - O Infesta já jogou com as três equipas de Gaia. Qual foi a que lhe apresentou maiores dificuldades?
JMR - Foi difícil o Grijó e também o Avintes. Não tão difícil o Arcozelo, porque das três pareceu-me a que tem menos argumentos. O Grijó é quanto a mim, a que tem no seu conjunto, um lote de jogadores com melhor qualidade e depois, já estão com o mesmo treinador há muitos anos e isso ajuda, têm uma estrutura preparada para esta divisão e apostou forte na subida. O Avintes foi complicado porque jogamos num relvado que não estava em boas condições e não marcamos o segundo golo quando deveríamos ter marcado. Mas para mim o Grijó foi o adversário em que tivemos mais dificuldades e na altura disse que se tivéssemos empatado também seria justo. Acabamos por ter alguma felicidade ao ganhar 2-0 e é a equipa que tem melhor lote de jogadores e aquela que neste momento ainda luta pela subida. Ainda faltam muitos jogos e estão bem apetrechados, reforçaram-se com bons jogadores que eu conheço do Valonguense e penso que a estrutura está lá e têm tudo para importunar pelo menos o Pedras Rubras, porque é o adversário mais próximo. Quanto a nós já será mais difícil, mas não é impossível e nos temos essa noção e não podemos nem vamos facilitar. Mas de facto o Grijó foi a equipa que mais luta me deu e é um sério candidato a subir de divisão.

ABR - O Infesta está invicto. Como é que se tira o deslumbramento da vitória a um grupo que tem ganho todos os jogos?
JMR - Tenho um grupo de jogadores que estavam cá o ano passado e a vontade deles em devolver o clube à 3ª Divisão é muito grande. Esses estão motivados. Depois fui buscar jogadores fora, a clubes mais pequenos e a motivação de estar aqui é muito grande. Se perguntar aos jogadores, ninguém quer perder, eles próprios estão motivados. É mais difícil motivar uma equipa que perde, não uma que ganha, porque esses não querem perder. Não tenho nada de especial, é tudo fruto do trabalho. Sinto-me motivado, mostro-lhes a minha motivação e acho que eles vão buscar alguma à minha.

ABR - Mas pode sempre aparecer facilitismos durante os jogos…
JMR - Não tenho sentido qualquer tipo de facilitismos durante os jogos, nem mesmo com as equipas cá de baixo. Temos mantido sempre uma organização e concentração de topo e só assim é que conseguimos vencer. Tenho reparado que contra nós as equipas são mais agressivas que o habitual, correm mais, mas isso é normal, se estivesse do outro lado era igual. Quem é que não quer ganhar ao Infesta? Quem o fizer será notícia durante a semana...

ABR - Está a começar a carreira como treinador, mas tem ambições como toda a gente Quais são as suas ambições pessoais?
JMR - Tenho os pés bem assentes na terra. Só com bons resultados é que se conseguem coisas. Se me perguntar se tenho objectivos, tenho o objectivo de treinar um clube da 2ª B antes dos 40 anos, se for o Infesta melhor, mas sei que vai ser difícil, porque conheço a realidade do Infesta e não será fácil o clube voltar à 2ª B. Mas o objectivo é esse, nos próximos quatro anos conseguir estar a treinar pelo menos nos nacionais. O resto, depende muito do clube onde estiver, das capacidades do clube em me projectar, também depende da ajuda de um presidente que aposte em mim. Há muitos treinadores no mercado com qualidade e não conseguem. Vou trabalhar e lutar e acima de tudo, fazer o meu trabalho o melhor que sei, procurar ser melhor todos os dias e tudo fazer por merecer um dia mais tarde, uma oportunidade para outros voos que não nos distritais. Vamos tentar com o Infesta voltar aos nacionais, mas sabemos que depois de lá estar tudo é mais fácil, mas sem uma boa estrutura, um treinador sozinho não consegue. Felizmente no Infesta a nível de estrutura não haverá clube melhor nesta divisão.

ABR - Para terminar, uma mensagem aos adeptos e simpatizantes do Infesta.
JMR - Acima de tudo, que continuem a ajudar o Infesta como têm ajudado. É uma alegria muito grande terminar um jogo e ver muita gente nas bancadas. Pessoas que não vinham ao Infesta há muitos anos. Infelizmente em Portugal as pessoas só vêm ao futebol quando a equipa ganha, pois na altura das derrotas as pessoas fogem. Felizmente estão a voltar ao Infesta. Só espero que continuem a apoiar para lhes podermos dar mais alegrias. O clube não morreu e só com a ajuda deles é que podemos reerguer o Infesta.

Johnny Lino

FONTE: A Bola é Redonda
(www.abolaeredonda.blogspot.com)